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A Guerra das Letras

Poema cíclico

Sei que duvidas do meu amor por ti

Como duvidamos às vezes

Da veracidade e lógica do Verão

Quando, à distância, as nuvens surgem.

Não posso esclarecer dúvidas

Não sou professor, o amor não ensino

Por ser o Amor professor que nos ensina.

Afinal, a minha mão apertava a tua

E desconfiavas que meu gesto sincero

Era para que te sentisses segura

E parasses de tremer,

Como a terra que não pára de tremer

(maldita terra que não pára de tremer)

 

Soubesses as vezes que me resgatas

Dos escombros, das ruínas dos prédios

Quando firo o centro do lar

Com meu tridente de voz neptunina

Provocarias em mim abalos sucessivos

Porque és sempre tu que me salvas

Porque és sempre tu que me a(em)balas

Quando apareces diligente

Oferecendo-me metade da tua maçã

E sorris. E o teu sorriso dura

Até ao momento que voltas

A duvidar do meu amor por ti

 

Procura-se

Procura-se gente que sinta solidão

Que leia poemas às escondidas

Sem planearem o futuro

Durante horas inconsequentes.

Procura-se

Os que não procuram nada

E trocam sorrisos e colam

Sorrisos na caderneta

Da memória intacta.

 

Procura-se gente que sinta,

(Espécie em vias de extinção)

Disponíveis de viajar neles próprios

Em viagens no imaginário

Sem saírem do seu lugar.

Que sintam compaixão por um bêbado

Que não ralhem com crianças

Que não espanquem com palavras

Que contem histórias aos filhos

E nos olhos se acendem

Luzes de concertos no Verão.

 

Procura-se gente

Que não lamente um lamento

Que não se ufane de infâmias

Que faça jus ao ar que respira

Que encontre poemas nas algibeiras

E não os atire ao rio

Para redimir-se do passado possivelmente triste.

Empilhadores de versos

Que saibam repelir a ansiedade

E gerir bem a pressão inevitável da Morte.

 

Procura-se também quem ame

Sem passar o tempo a descobrir diferenças

Entre os rostos do amor e paixão

Sem alinhamento de astros

Nem leituras do zodíaco

Aceitando que o amor

É mais real que todos os deuses.

Sinfonia do Novo Mundo

Tronco nu nas rimas fora de moda

Poema século vinte e um, perdido no tempo

Cheiro a novo, casa pintada de fresco

Renovação do meu cartão de cidadão na poesia.

Amarras soltas a todos os navios no cais à espera

Troca de lâmpadas falidas em todos os faróis

Coletes de força rasgados por loucos em fúria

No asilo interior de todas as minhas hesitações.

 

Produto interno bruto do meu ser,

Fuga de animais em todos os jardins zoológicos

Autobiografia da minha vida vazia

Estandartes dos meus exércitos musicais e poéticos,

Virar de costas às notícias de última hora

Livros abertos lidos até de madrugada

Fragância de erva cortada na Primavera

Telemóveis esquecidos nas mesas de esplanadas

Apagão nas cidades exageradamente habitadas

Análises ao sangue da minha alma inquieta

Janelas abertas nesse lar chamado amor

E tu, leitor, sem pátria ou religião

Tu que procuras respostas ao sentido da vida,

Afirmo-te que não há sentido da vida nenhum:

Astronautas gastam quantias avultadas

À procura de Deus no espaço, morre-se à fome disso.

Faz sentido?

Nenhum,

é esse o sentido da vida.

 

O tigre de Bengala de bengala que acasala

Com várias fêmeas nas índicas florestas,

Manadas toneladas de elefantes africanos

Que atropelam caçadores de marfim

Baleias e colmeias de abelhas, alcateias

De lobos esfomeados em orquestra

Esquadrões de morte de leves borboletas

Largando bombas de impossíveis cores

Força área eficaz de colibris e andorinhas

Dos Estados Unidos dos Animais

Faz sentido?

Nenhum,

Devia ser este o sentido da vida.

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