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A Guerra das Letras

De que vale os versos e a melancolia?

O pavor de existir sem ter existido

O ser vencido pelo medo em batalha

O removermos o ser para sobrevivermos

Como cisnes se esgueirando dos olhos do mundo;

O molhar de lábios, que desconhecemos

Ser veneno na falta das exactas palavras

O misturar dos gestos, a cobardia

Nos rostos mudos nas ruas de cinza.

 

O cansaço imediato nas manhãs de Outono

O langor do violino nas horas prateadas

O céu recorrente, igual, imperecível

Assim os deuses troçam e riem dos homens

O azul da batina ou avental das nuvens

A noite que nos aguarda, negra de fuligem

De irremediável pranto, da solitária viúva

De uma Lua triste, que se ergue divina

 

O rosto da miséria que nos dói olhar

De frente, que nos lembra a Morte, o túmulo

De dias desperdiçados a sorrir sem querer

Nos voos em espirais da imaginação.

Uma gota de tinta derramada, lenta

Essa noite que se aproxima e nos reclama o fim,

O sonho amordaçado, o carregado cenho

Da vontade urgente de reanimar a infância.

 

O ruído líquido dos carros quando passam,

O ruído grotesco das fábricas que não param,

A bailado leve e suave das cortinas

Nos dias de cristais quebrados no silêncio.

Rolarão as horas, os dias, os meses

Os anos vindouros serão de maior culpa

E tudo é um mistério de tentáculos e abismos

 

De que vale os versos e a melancolia?

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