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A Guerra das Letras

Esperança

Começava assim, o redemoinhar das folhas

Antes da tempestade, um silêncio de sinfonia

De Tchaikovsky, no início, dilatando, lento, ágil

respirando fundo como mar que o vento agita.

 Iniciaste o pranto, meu peito estremecia

por qualquer pedido de desculpa que viesse

deixar luzidios espelhos sujos de palavras sujas

E deixar o ar perfumado de jasmim.

 Pouco importa o que disse no passado,

Dou por mim a enlouquecer, enredado

Na teia dum louco solilóquio prolongado

Com que venho a atravessar a rua.

 Quase fui atropelado por quem com pressa vinha

Deve ser assim a Morte, ansiosa e estúpida,

Mas repara como reparo que o teu rosto

De lírio do vale, sem mão que te macule

Enrugou-se, lentamente, a contorcer-se

De raiva por mim, e compaixão por ti.

 Eu que não quero mais que a vida quero agora

Ter dons alquímicos na ponta dos dedos

Para tocar teu rosto, assinar um cessar-fogo

E não ir pela goela abaixo do escuro abismo.

 Tão difícil, ó inocente, provares tua inocência

A calúnia é vil e chega longe. Assim nasceu

A palavra esperança, eu te saúdo, ó pioneiro

E isto sim, ó Prometeu, arde a valer como o fogo 

Esperança!

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