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A Guerra das Letras

Intermitências

Ainda não morri e já dou voltas no túmulo

Viro-me para um lado, para o outro e… vazio.

Continuo a sentar-me diariamente no mesmo sítio

Um sítio de nada, um sítio de sempre

Onde perdemos a vida para matar a fome

Sem sonhos no inverno, nem sombras no verão

Regurgitando mal o verso disruptivo.

 

Nem uma lágrima ao ler Camões,

Nem depressões ao ler Pessoa

Nem saudades de mim quando era um Atlas

Sustentando meu próprio mundo íntimo;

Os meus olhos são dois velhos muito amigos

Gostam de comer gelados por irreverência

Saudosos dos tempos de nómadas leões

À caça de metáforas e versos insubmissos.

 

Onde está o rio Tejo que daqui não o vejo?

E o eléctrico surgindo nas ruas como um cisne

E a voz do cauteleiro, sonante, de invejável

Coragem, que anuncia o corpo da fortuna

E o desmanchar de puzzles num domingo à tarde

Com meus pais por perto, tricotando o tempo

E a minha roupa suja cheia de lama,

Esverdeada camisola de seda branca

Do Real Madrid, que um primo meu me trouxe,

Há anos que apertam o peito de contá-los…

 

E agora isto, que é só isto, “and nothing more”

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