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A Guerra das Letras

Página arrancada dum diário

Não fui ao pão como todos vão nos diários.

Minha cabeça rodopiava como um pião

Lançado com punhos de oceanos

Girando sem parar, como o Paraíso Perdido

De Milton que não soube parar

E ainda escreveu outro Paraíso 

Sem o merecermos.

 

Não fiz muita coisa. Fui boémio nas tarefas

Deixei as portas do meu cansaço escancaradas

Cheguei a sentir febre sem suor na pele

Por dentro, a queimar-me como fogo

Vil nas bibliotecas da antiga Alexandria.

 

Os amigos eram um horizonte,

Difícil de alcançá-los. Sonhei

Que era espião russo sentado numa esplanada

Que espiava uma modelo alemã

Gelada numa caneca de vidro.

 

Acordei de noite, pensava que era dia

E quando adormecia vagamente já era tarde

Para promover as ânsias do fogo

As lâminas da angústia, o ardor da razão.

Os livros dormiam nas prateleiras

Mas não esboçaram sorrisos ingénuos

E era o caos, um fim do mundo

Na minha cama. Havia nos lençóis de linho

Vestígios de pele, dum fungo qualquer

Que a minha alma foi deixando

Ou corpo, nem sei, e pensei em Shakespeare

Que desconfio que escreveu Vénus e Adónis

Numa noite. E adormeci. E não sonhei.

E não escrevi.

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