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A Guerra das Letras

Poetas

As pessoas comuns tornam-se poetas

Meu pai foi poeta porque defendeu a pátria

Sem versos ou metáforas de G-3 na mão

a Musa era minha mãe.

 

As pessoas explodem por dentro. Nos olhos

Há sirenes de ambulâncias e um aparato policial

Nos lábios trémulos. as conversas pairam

Como nuvens pardas de borrasca antecipada.

 “Mas ele é meu filho”, gritava a pobre mulher

E não era actriz nem era Shakespeare

nem deusa ou divindade

E havia versos de Virgílio na voz

De Pentesileia, destemida, bélica e pronta

A esventrar qualquer um que a contrariasse

Nas escolhas das roupas do seu único filho

 

O meu pai serviu a pátria, disse

Não fala muito sobre isso

Não quer falar sobre isso

E cada dia que passa

Vai querendo não falar sobre tudo

 

Como posso eu querer falar de Poesia?

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