Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Guerra das Letras

Aborrecimentos

Aborrecem-me as conversas de café

os encontros causais de amigos nas ruas

sobre aplicações novas e seguros baratos

dos livros que leram e nunca os leram

dos filmes que viram sem os terem visto

(a lâmpada fundida no génio que não tive

sem ser melhor ou pior de não ter sido

uma promessa iguala uma criança)

Aborrece-me a rapariga

que impede risos e conversas

e fuma cigarros por talento

enviada de Morfeus de subtis encantos.

Até as pessoas aborrecidas aborrecem-me

sem rasgos espontâneos, sem uma nesga de mar

cheias de tédio de morte e sucesso

de suores frios coroados de louro

Em tudo. se ao menos falassem

De erradas filosofias íntimas na vida

escutaria suavíssimo

com ávido interesse de quem sobrevive a saber

mas chega-me um aborrecimento de morte

dos poemas antigos com inúmeras regras

dos poemas modernos com ausência de regras,

das palavras difíceis, das palavras simples

nada faz sentido, quero ou escrevo

molho só o pão da alma

no leite que é a escrita

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D